Foram criadas mais 88 equipas a juntar às 412 já no terreno. Bombeiros voluntários transportaram mais de 132 mil pacientes com suspeitas de covid entre finais de setembro e dezembro. Ministério da Saúde tem uma dívida à Liga de cerca de 20 milhões de euros

A criação de mais 88 “equipas especializadas” de bombeiros voluntários, no sentido de assegurar “apoio, socorro e transporte de doentes” suspeitos de covid-19, bem como prestar assistência às “operações no âmbito do plano de vacinação”, é uma das medidas previstas para o novo confinamento.

Este apoio vai reforçar as 412 equipas anteriormente criadas pelo Governo, para um total de 500 equipas com dois membros cada uma. O transporte de doentes suspeitos de covid-19 já era feito antes disso: entre 23 de setembro e 31 de dezembro de 2020 os bombeiros voluntários de todo o país transportaram 132.614 doentes suspeitos de covid-19, adianta ao Expresso a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP).

Foi em novembro que o executivo determinou a criação destas equipas, fixando o pagamento às Associações Humanitárias de Bombeiros (AHB) de um valor diário de 85 euros por cada veículo a suportar pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Na altura, 80% dos quartéis de bombeiros voluntários em Portugal aderiram à iniciativa – isto apesar dos atrasos na operacionalização da mesma, diz Jaime Marta Soares, presidente da LBP.

“Havia algumas dúvidas e exigências que não foram bem clarificadas pelo Governo, caso contrário estou convencido que a percentagem seria de 100%. Mas falámos com a Secretaria de Estado da Protecção Civil e a situação foi clarificada e desburocratizada o mais possível”, esclarece, garantindo ainda que, apesar dos atrasos, os bombeiros “nunca deixam trabalho por fazer.” “Pelo contrário, têm feito mesmo que não recebam nada”, afirma. Marta Soares diz que a dívida do Ministério da Administração Interna aos bombeiros voluntários é hoje “residual”, mas que o Ministério da Saúde deve, “já há muitos anos”, uma média de 20 milhões de euros.

O responsável salienta ainda que a LBP tem estado em contacto directo com o Governo, bem como com a Task force criada para gerir o plano nacional de vacinação contra a covid-19, coordenada por Francisco Ramos. Ainda assim, aponta que, apesar dos bombeiros terem prioridade na toma da vacina, “ainda não chegou nada”.

“Eu compreendo [que os bombeiros voluntários ainda não tenham sido vacinados] e tenho feito a gestão emocional da situação, mas a verdade é que isto cria mal estar dentro dos bombeiros, é muito mau para os quartéis”, diz, lembrando que os profissionais do INEM já foram vacinados – “e nós fazemos cerca de 95% os serviços do INEM”, acrescenta. Neste momento, a LBP e o INEM estão numa “fase avançada das negociações” para atualizar o protocolo de transporte de doentes urgentes que não é revisto desde 2012, finaliza Marta Soares.

Expresso

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