No distrito de Beja nos últimos dias, as sirenes dos Corpos de Bombeiros têm suado, colocando em alvoroso as suas populações.

Infelizmente é um mal necessário, pois não existir planeamento de emergência em proteção civil na vertente dos incêndios rurais o que leva à inexistência de meios em permanência nos quartéis.

Todos os anos, estes toques de sirene intensificam-se, sempre, entre 1 e 15 de maio período em que ainda não está operacionalizado o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios e posteriormente entre 15 e 31 de outubro, altura que se verifica a redução de efetivo permanente nos quartéis. É sabido que o voluntariado infelizmente não cobre as necessidades existentes e os comandos dos Corpos de Bombeiros por muita vontade que possam ter não conseguem garantir respostas permanentes nestes períodos, pois é necessária muita logística e as associações não conseguem financiar, tendo de recorrer na maioria das vezes ao toque de sirene.

É do conhecimento geral que na região Alentejo os trabalhos agrícolas fazem-se nestes períodos onde os agricultores utilizam o fogo controlado para fertilizar os solos, mas por vezes estas queimas e queimadas dado as condições meteorológicas levam a que se perca o seu controlo, iniciando-se assim os incêndios.

Passados tantos anos, ainda não se aprendeu que o dispositivo tem de ser antecipado em maio e prolongado em outubro, pois as condições meteorológicas tanto no início como no fim são favoráveis as fugas de queimas e queimadas, prova disso foi o alerta especial emitido no último dia do dispositivo para o seu nível amarelo, onde sai o documento, mas, na verdade não se operacionalizou, assim como, não se financiou para garantir a sua execução.

Não tenho dados que me possam sustentar, mas sou possuidor da experiência de alguns anos, fator que me permite dizer que é nestas fases que mais arde e se tornam complexos os incêndios na região, uma vez que os meios humanos são reduzidos e as distâncias são enormes entre Corpos de Bombeiros.

Portanto e falando da minha realidade, importa urgentemente repensar o dispositivo permanente, assim como, o financiamento do mesmo para o distrito, pois podemos correr o risco e qualquer dia correr mesmo mal.

João Lemos
Bombeiro Voluntário e Cidadão