O conforto perigoso de culpar quem sai….
Há um desgaste que não aparece nos relatórios nem nas reuniões.
Vem de ver pessoas irem embora uma atrás da outra e ninguém achar isso estranho. Como se fosse normal. Como se não dissesse nada. Como se não merecesse sequer uma pergunta.
O que mais custa não é a saída em si, é a indiferença. É assistir à liderança olhar para cadeiras vazias e concluir que está tudo bem. Que o problema nunca é interno. Que quem sai é que não aguentou, não se adaptou, não percebeu a “forma certa” de estar.
Há uma estranha convicção de que tudo funciona na perfeição. Que não há falhas, que não há ruído, que não há motivos para alguém querer ir embora. E assim, cada despedida é tratada como um acaso, nunca como um sinal. Nunca como um alerta.
Enquanto isso, fica quem se cala. Fica quem aprende a não questionar. Fica quem se adapta ao mínimo para sobreviver. E ironicamente, quem sai é visto como quem está bem, como quem teve coragem de procurar algo melhor, mesmo quando essa coragem é confundida com fraqueza.
É difícil crescer num lugar onde a perda constante de pessoas não gera reflexão. Onde ninguém se pergunta o que poderia ter sido diferente. Onde a narrativa é sempre a mesma: aqui está tudo certo, o problema é sempre do outro lado da porta.
Mas quando muitos vão embora e poucos são escutados, talvez o problema não seja a falta de resiliência de quem sai. Talvez seja a incapacidade de quem fica no topo de olhar para dentro com honestidade.
No fundo, não é a saída que devia preocupar.
É a tranquilidade com que ela é aceite.
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