O avião Canadair tinha acabado de fazer uma manobra de ‘scooping’ e caiu durante a operação, causando um incêndio na cabine. Fonte do comando dos bombeiros diz que “um dos tripulantes morreu e o outro está em estado crítico” e explica ao Expresso que “o acidente deu-se numa zona muito escarpada” em Lindoso, Ponte da Barca. No local estão dois helicópteros do INEM e dois da Força Aérea, além dos meios já existentes no local

Uma aeronave Canadair despenhou-se pouco depois das 11h na zona de Lindoso, no Parque Nacional Peneda-Gerês, enquanto combatia um incêndio no local, provocando um morto e ferido muito grave. O meio aéreo estava a operar na zona e após a ‘manobra de scooping’, um abastecimento de 5 mil litros de água na barragem, preparava-se para descarregar o líquido numa manobra de loop (operação bastante curvada para deixar a água em cima do fogo). Esta manobra revela-se mais difícil em zonas de orografia muito acentuada o que poderá justificar o acidente do Canadair, segundo o comandante no posto de comando.

Fonte da empresa que opera os aviões Canadair conta que as aeronaves estavam estacionadas na base de Castelo Branco e que a tripulação é constituída por um piloto português e um copiloto espanhol. A mesma fonte confirma ao Expresso que estão em estado ‘muitíssimo grave’. Os pilotos estão em paragem cardiorrespiratória, sujeitos a SAV (Suporte Avançado de Vida) de insistência. Em declarações ao Expresso pouco depois das 13h, o Comandante de Permanência às Operações, Pedro Araújo, afirmou que os dois tripulantes estão a ser avaliados e estabilizados por equipas médicas no local. Foram enviados dois helicópteros do INEM e dois da Força Aérea, além dos meios já existentes no local.

Pedro Araújo confirma ainda que “o Canadair tinha todas as condições para operar naquela zona”, uma vez que é um “avião bombardeiro pesado”, e que, desde as 08h40, “já tinha feito varias descargas” naquele teatro de operações.

Operacionais portugueses e espanhóis estão este sábado a combater o incêndio nas margens da barragem do Alto Lindoso. O fogo está ativo numa zona de acesso muito difícil e está a ser combatido maioritariamente a pé, através de ferramentas manuais. Não é até ao momento conhecido o local em que o incêndio começou, tendo o CDOS recebido o alerta do lado português pelas 5h19 da madrugada.

De acordo com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), há 106 operacionais no terreno, apoiados por 29 meios terrestres e 10 meios aéreos — alguns dos quais apenas de coordenação. Não há povoações em perigo, quer em Portugal quer em Espanha. O incêndio afeta a freguesia de Lindoso, concelho de Ponte da Barca, e Lindos, em Espanha.

As previsões de muito calor e vento forte para este sábado levam as autoridades a manter-se alerta para novas ignições e reacendimentos em incêndios combatidos nos últimos dias. O estado de alerta especial foi prolongado pelo governo até ao final de domingo. Neste momento, e durante a totalidade do fim de semana, há três centenas de militares em missões de vigilância e patrulhamento.

Fonte: Expresso