O tema “Bombeiros” já foi tão debatido e por mim já foi tão vivido de várias formas e feitios que se torna incontornável.

O seu futuro preocupa-me, mas depois começo a relembrar a sua evolução e a sua importância que sou forçado a dizer que o Futuro do sector será aquele que nós Bombeiros quisermos pois a nossa evolução tem sido tão grande e por vezes tão rápida que conseguimos, contra todas as expectativas e outras coisas evoluir e adaptarmo-nos que se realmente assim desejarmos nada nem ninguém nos destrói.

Temos que ter a noção do início e como todos sabemos que D. João I, através da Carta Régia de 23 de Agosto de 1395, tomou a primeira iniciativa em promulgar a organização do primeiro Serviço de Incêndios de Lisboa, ordenando que:

“…em caso que se algum fogo levantas-se, o que Deus não queria, que todos os carpinteiros e calafates venham àquele lugar, cada um com seu machado, para haverem de atalhar o dito fogo. E que outros sim todas as mulheres que ao dito fogo acudirem, tragam cada uma seu cântaro ou pote para acarretar água para apagar o dito fogo”.

Ora o início foi assim, e mais vocacionado para Incêndios Urbanos, daí até aos nossos dias temo-nos adaptado e organizado, cada vez melhor, para fazer face às mais diversas dificuldades sentidas pela população. E por esse facto a Sociedade Civil, sentindo as lacunas neste aspecto por parte do Estado foi-se organizando e assim apareceram as ASSOCIAÇÕES de BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS, onde o próprio Estado foi despejando competências às quais sempre demos reposta. Por isso o Futuro é aquilo que quisermos.

Mas temos que ter a noção da evolução da sociedade e de toda a problemática do voluntariado, muito importante, sem dúvida mas para o qual temos que olhar com uma nova forma de o ver de o aproveitar e também de o incentivar, até porque aquela ideia “romântica” de que isto se resolve tudo com o “Voluntariado”, desculpem mas quanto a mim já foi “chão que deu uvas”.

Hoje ainda andamos, quanto a mim, com o “Edifício” voltado ao contrário, ou seja os Profissionais a complementar os Voluntários e temos, porque as exigências são cada vez maiores, de voltar as coisas completamente do avesso, de forma a que os Voluntários complementem a base que terá forçosamente que ser Profissionalizada, no mínimo a primeira intervenção, 24 horas por dia 365/366 dias por ano. Quanto ao voluntariado ele deve ser incentivado, criando condições para que se torne atractivo e atraia jovens que queiram e se dediquem à causa, porque sinceramente com a evolução que a Sociedade teve e está a ter há muitas outras coisas bem mais atractivas.

O Estado, já deu conta dessas coisas, e deu conta também que nós, Bombeiros, andamos sempre às “turras” e muitos à procura de protagonismo e por isso já começou a acautelar a sua responsabilidade de socorrer. Está a profissionalizar muita “coisas” e a criar estruturas paralelas a nós, sem que as nossas estruturas consigam caldear as vontades de forma a invertermos as coisas a nosso favor.

O Futuro?

O Futuro tem que passar por profissionalizar a primeira intervenção e ser dada inequivocamente aos Bombeiros;

O futuro passa por uma efectiva Lei de financiamento das Associações de Bombeiros;

O futuro passa pela responsabilização efectiva e eficaz das Associações de Bombeiros e de toda a sua actividade;

O futuro passa pela tipificação dos CB’s e dos equipamentos que cada um deve ter numa lógica primeiro Municipal alargada à Inter-municipalidade/Região;

O futuro passa por uma reorganização e muito provavelmente redução de CB’s;

O futuro passa, provavelmente, por adquirir-mos novas competências, como por exemplo criação de Equipas de Bombeiros Sapadores Florestais que façam, quando não necessários nas acções de combate/rescaldo/vigilância, silvicultura preventiva;

O futuro passa por isto tudo e será com certeza risonho desde que sejamos capazes de despirmos a camisola da nossa “Courela” e vestirmos a da nossa “Quinta”.

Martins Andrade