Criaram-se em 2018 mais EIP do que entre 2001 e 2017. Ultrapassámos o limiar das 300 equipas: são a partir de hoje 304″, disse Eduardo Cabrita em Maceira, no concelho de Leiria, na cerimónia de assinatura de protocolos para a constituição de 42 EIP.

Segundo o ministro, está cada vez mais próximo o objetivo traçado pelo Governo, até 2020.

“Comprometemo-nos com os bombeiros portugueses que em todas as associações humanitárias exista pelo menos uma equipa com estas características”.

A criação destas estruturas permanentes e profissionalizadas, “apoiadas em 50% pela Autoridade Nacional de Proteção Civil e em 50% pelas autarquias”, surge de “uma parceria para a afirmação da defesa, da valorização do voluntariado, da qualificação das nossas corporações de bombeiros para o reforço da segurança dos portugueses”.

“Com as 42 equipas hoje aqui constituídas, criámos 125 novas EIP este ano, envolvendo no total cerca de 700 novos bombeiros com estatuto profissional”, um reforço de apoio às corporações que “faz todo o sentido” e que significa “um investimento de 1.4 milhões de euros anuais”.

Também para apoio aos bombeiros será aberto, no início de 2019, um concurso para que “todos os bombeiros a nível nacional disponham de pelo menos dois equipamentos à sua disposição”:

“São mais de 09 milhões de euros nesse novo concurso que será aberto nas próximas semanas”.

No Quartel da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Maceira, o ministro elogiou ainda os avanços nas conversações com a Liga dos Bombeiros Portugueses:

“Queria saudar a manifestação de reconhecimento, de clara convergência, num trabalho que é intenso e de abertura para o diálogo, que foi ontem reiterada pela Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), numa reunião longa, intensa, construtiva, quer [também] nas deliberações do Conselho Nacional [da LBP]”, afirmou Eduardo Cabrita que, no final, recusou responder a questões dos jornalistas.

Contudo, o ministro não saiu da cerimónia sem ouvir críticas. O presidente dos Voluntários da Maceira, Hélder Sousa, lamentou diante de Eduardo Cabrita a falta de apoio às associações humanitárias:

“Julgo que falo pelo que sentem muitos presidentes de associações humanitárias e comandantes de todo o país: necessitamos ainda mais. Mais reforço do apoio do Estado. A função de proteção civil que diariamente desempenhamos, e que assumimos voluntariamente, tem de ser apoiado totalmente pelo Governo e autarquias”.

O dirigente considerou que “não está a ser feita justiça” enquanto “os nossos voluntários não tiverem reconhecimento do seu trabalho através de incentivos fiscais e apoio social” e “tiverem salários que muitas vezes nos envergonham” e se as associações humanitárias continuarem a “mendigar para verem supridas as suas responsabilidades e providenciar meios para os seus próprios bombeiros”.

Os protocolos assinados hoje contemplam a criação de 42 EIP em corporações dos distritos de Beja, Bragança, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, Viseu e Vila Real.

Fonte: Agência Lusa